Localizada no subúrbio da Cidade do Cabo, Khayelitsha é a segunda maior favela da África do Sul, com mais de 400 mil moradores. Habitada em sua maioria por pessoas negras, a favela nasceu durante o apartheid para separar os brancos e os negros e, é vista como um lugar perigoso, onde os brancos (e obviamente, mais apoderados – que também vivem no centro e bairros nobres da cidade) temem em visitar. Em meio a um lugar repleto de doenças e violência, tive a honra de conhecer a Casa da Mama (ou Qaqmbani), graças à Renata Galvão*. Em teoria, a Casa da Mama é uma safe house, ou seja, uma casa temporária que recebe crianças em risco. Na realidade, Qaqmbani é muito mais do que uma casa temporária. É uma grande família, onde a Mama educa as crianças com muito amor e dignidade. Atualmente, a casa está com 13 crianças (adotadas pela Mama). Todas com histórias incríveis de superação para chegarem vivas até Qaqmbani (ou até mesmo sem ter histórias). A Mama trata as crianças de forma igual e muito amorosa. De forma recíproca, os pequenos semeiam amor e respeito entre eles e a Mama. No final dessa viagem, afirmo que na Casa da Mama vivi a experiência mais rica e importante da minha vida. Sempre gostei de crianças e também sempre estive engajado com trabalhos voluntários, mas conhecer e ajudar Qaqmbani foi diferente. Foi especial. Me tornei mais humano. Queria poder visitar cada casa de Khayelitsha. Escutar cada história dos moradores. Ajudar a tentar melhorar a vida de cada pessoa. Também queria levar cada pessoa que tem preconceito pelo lugar para mostrar a situação dos moradores de Khayelitsha. Concluo que Khayelitsha não é um lugar onde só existe pobreza, violência e doenças. Khayelitsha é amor. *A Renata Galvão é brasileira e jornalista. Ela mora na Cidade do Cabo desde 2011 e ajuda a Casa da Mama o máximo que consegue. Em 2014, através de um crowfunding, ela ajudou a construir uma casa digna para a família (de material, com três quartos, sala, banheiro e cozinha, pois até então, era uma casa de zinco com apenas um quarto). Renata: obrigado por ter me possibilitado conhecer Khayelitsha e parabéns pelo incrível trabalho voluntário que tu faz. A Mama e as crianças são extremamente gratas por tudo. Mundo. Desigualdade. África. Negros. África do Sul. Apartheid. Cidade do Cabo. Turismo. Khayelitsha. Pobreza. Esperança. Amor.

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